• Multicanalize

Criptomoedas: um novo meio de pagamento está surgindo no e-commerce

Por Julia Vieira e Andreia Moraes


Você já parou para pensar na quantidade de modelos de negócios que deixaram de existir nas últimas décadas? Percebe que as mudanças estão acontecendo cada vez mais rapidamente? O avanço da tecnologia vem causando transformações em nosso dia-a-dia e invadindo nosso cotidiano em uma velocidade difícil de acompanhar. Até mesmo a realidade dos meios de pagamento está mudando e não é à toa que já surgiram até moedas virtuais, as chamadas criptomoedas, que estão dando o que falar e revolucionando o comércio como o conhecemos.

Mas, afinal, você sabe o que são as criptomoedas?

De forma geral, trata-se de uma moeda virtual, ou seja, que não existe fisicamente.

O intuito é oferecer uma moeda que não dependa das múltiplas imposições governamentais e que não sofra interferências na valorização por conta de eventos políticos. Ao contrário do dinheiro convencional, a criptomoeda é limitada, ou seja, não é possível emiti-la inúmeras vezes.

Elas funcionam sem a necessidade de um banco central como intermediário, uma vez que a transação é feita de usuário para usuário (peer-to-peer), e como uma forma de se garantir a segurança, as transações são verificadas – cada usuário possui uma chave única para cada transação - e registradas permanentemente de forma criptografada em um “livro” público chamado de blockchain.

Mas onde o e-commerce entra nessa história?

Segundo uma pesquisa realizada pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo, 92% dos brasileiros têm o hábito de comprar pela internet e, dentre eles, 63% utilizam cartão de crédito como forma de pagamento, 23% boleto bancário e por último, mas não menos importante, 14% utilizam o débito.

No entanto, a maneira como compramos e vendemos produtos na internet pode estar prestes a mudar. Isso porque a cada dia que passa, mais e mais pessoas estão aderindo à febre dos bitcoins e criptomoedas. Prova disso é uma pesquisa divulgada pela Universidade de Cambridge, em 2017, que aponta que o número de usuários ativos de Bitcoin estava entre 2,9 e 5,8 milhões no mundo, com previsão de que esse número chegue próximo aos 200 milhões em 2024.

Isso porque o fato de não existir um intermediário nas transações como o Banco Central, por exemplo, reduz os gastos com impostos e taxas e, além disso, a segurança oferecida pela criptografia também ganhou atenção dos consumidores e empresas já que garante a inviolabilidade dos dados ali presentes.

Ainda segundo a pesquisa da SBVC, apesar das empresas não oferecerem a possibilidade do pagamento em criptomoedas, trata-se do meio que gera mais curiosidade entre os consumidores. Entre os entrevistados, 19% gostariam de utilizá-las como forma de pagamento, porém, 29% alegam que não utilizam porque não confiam, 13% por não conhecerem, 11% por não acharem seguro e 9% por não possuírem.

Um dos possíveis motivos para isso acontecer é a falta de legislação específica sobre o assunto e a falta de clareza nas informações. Muitos desconhecem o funcionamento das criptomoedas, o que gera insegurança por parte dos consumidores. Além disso, o Código de Defesa do Consumidor e o Código Civil não possuem normas específicas sobre a utilização de moedas digitais como meio de pagamento. Portanto, para alguns, em uma operação de compra e venda online, tanto o comprador quanto o vendedor não são resguardados pela legislação.

Mas, afinal, quais são as vantagens das criptomoedas para o e-commerce? Em um mundo digitalizado, onde as compras/vendas serão feitas usando dinheiro virtual, serão reduzidos os custos de transação, erro e retrabalho, e haverá uma fluidez muito maior nos elos da cadeia de valor, melhorando a experiência do consumidor.

Diante desse cenário, grandes empresas do varejo e e-commerce, como a Amazon, já possuem plataformas que permitem realizar o pagamento por meio das criptomoedas.

Aqui no Brasil grandes empresas já começaram a aceitar bitcoin como forma de pagamento, como é o caso da Reserva,  marca de moda nacional. Assim como em qualquer compra pela internet, o consumidor navegará normalmente no e-commerce da marca, mas a diferença está ao finalizar a compra, quando ele escolherá o bitcoin como opção e o pagamento será efetivado após a geração de um QR Code. Outro exemplo é o Mercado Livre que recentemente anunciou que vendedores que utilizam o Mercado Pago poderão utilizar bitcoins como forma de saque.

Criptomoedas além do comércio eletrônico

Empresas de tecnologia também estão começando a investir em moedas digitais. Pegamos como exemplo a reportagem publicada na revista Exame, em julho deste ano, na qual a IBM anunciou parceria com a Columbia University para abrir o Columbia-IBM Center sobre Blockchain e Transparência, um centro que oferecerá aos estudantes acesso a estágios na IBM e pesquisa conjunta.

As moedas também estão sendo utilizadas como meio para pagamento de salário. A empresa japonesa GMO Internet, segundo o jornal The Guardian, adotou a medida de dar a opção aos seus funcionários de receber seus salários, ou parte deles, em Bitcoins. Na visão da empresa, acredita-se que “as criptomoedas, como o Bitcoin, vão evoluir num futuro não muito distante para se tornarem moedas universais disponíveis para qualquer pessoa globalmente, e levarão o mundo a uma nova zona econômica sem fronteiras”.

É certo que ainda há uma série de desafios a serem superados para que a utilização de criptomoedas como forma de pagamento cresça, porém não é uma realidade distante. Países como Japão, Suíça e Estados Unidos adotam ou estão prestes a adotar a tecnologia por trás das criptomoedas e acredita-se que, no Brasil, a adoção das criptomoedas como forma de pagamento dependerá mais do comportamento das futuras gerações, uma vez que o mercado gira em torno da necessidade de seus consumidores.

Com o avanço da tecnologia e a mudança gradativa no comportamento dos consumidores, que a cada dia estão buscando por mais praticidade e agilidade, e levando em consideração que o pagamento por meio das criptomoedas oferece praticidade, segurança, inviolabilidade e redução de custos, devemos estar preparados para o surgimento de um novo pagamento no e-commerce. E sua empresa? Está preparada?